segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Chega de desculpar tanto, de tampar o sol com a peneira. Quando um cara REALMENTE está afim de você, ele vai até o inferno por você. Essa verdade ninguém me tira. Não tem trabalho, família, futebol, amigos, crise existencial, nem celular sem bateria que façam com que ele – caso tenha educação e a mínima consideração – não tenha tempo de dizer um simples “oi”. Isso não é pedir muito, concorda? O cara não precisa dar satisfação a toda hora, te ligar várias vezes por dia, isso é chato e acaba com qualquer romance. O que eu quero dizer é que mulher precisa de carinho. Atenção. E uma sacanagem bem-dosada. Somos seres românticos, abduzidos pelos finais felizes dos filmes e livros. A gente sempre acha que alguma coisa vai mudar, que ele vai perceber TUDO o que está perdendo e vai aparecer com flores na porta da nossa casa. Mas a realidade é diferente. Não somos a Julia Roberts, não estamos numa comédia romântica e, na vida real, homens são simples e previsíveis. Quando eles querem uma coisa, não há nada – nem ninguém – que os impeça. Portanto, anotem aí: quando um cara está afim de você, ele vai te ligar, ele vai te procurar, ele vai te beijar, ele vai querer estar sempre com as mãos em cima de você. Não sou radical, apenas cansei de dar desculpas pra erros que não são meus. Ou são. Afinal um cara babaca sempre dá pistas de que é babaca e só não enxerga, quem não quer
“No fundo, mesmo lendo tanto, pensando tanto e filosofando tanto, a gente gosta mesmo é de quem é simples e feliz. A gente não se apaixona por quem vive reclamando e amassando jornais contra a parede. A gente se apaixona por esses tipinhos banais que vivem rindo. E a gente se pergunta: que é que ele tem que brilha tanto? Que é que ele tem que quando chega ofusca todo o resto?
Um homem de verdade não vai se importar com o tamanho do seu sutiã, com a grossura das tuas coxas, se você tem bunda grande, e nenhum sinal de barriga. Um homem de verdade vai reparar no teu sorriso,no modo como você coloca o cabelo para trás da orelha quando está nervosa, na tua risada, no modo em que seus lábios se movem enquanto você fala, no teu jeito histérico ao ver um filme de terror, no teu jeito estranho de correr, nas tuas manias, nos teus gestos exagerados e na forma como você pronuncia o nome dele. Um homem de verdade vai te amar pelo teu conteúdo, e não pela embalagem...
Você é um babaca, ela é uma vadia e eu odeio os dois. Odeio ela porque você sempre a preferiu, sempre a escolheu, e se uma vez escolheu a mim foi porque ela lhe faltou. Eu odeio você por ser esse imbecil que não percebe o quanto eu te cativo e o quanto eu poderia te cuidar. Hoje eu te odeio com todo o amor que ainda resta em mim e com todo o resto que consome um corpo, uma mente e um coração por completo. Eu o odeio por ter me conhecido como ninguém, por saber dos meus medos, das minhas alegrias, das minhas histórias, do meu mundo e do meu eu e ter jogado fora, pisotiado, me marcado e por, agora, agir como se não fosse nada. Você ainda me dói, ainda me machuca e por mais que eu tenha lhe falado que você matou a menina doce que existia em mim, eu menti, ela ainda existe e muitas vezes ainda chora por lembrar de você. Você matou muitas coisas em mim, e eu ainda estou em luto por isso, só que eu prometi a mim mesma que você nunca mais saberia como eu me sinto. Mas, apesar de tudo, eu posso dizer que já estou melhor, e já consigo ouvir aquela música que você cantava pra mim, já consigo ouvir e não lembrar de ti. “Garotos não resistem aos seus mistérios, garotos nunca dizem não”, você nem deve lembrar, mas eu não me esqueço de quando você cantava essa música olhando pra mim. Outra coisa que eu odeio é lembrar que esse garoto fofo e romântico era só um papel, um personagem, nunca foi você. Você é um menino que quer sair, curtir, beber e pegar meninas. Eu me apaixonei por alguém que não existiu. Isso significa que nunca ouve chance pra nós porque na verdade nunca houve um “nós” nessa história. E dessa maneira, com pesar, eu vejo que toda a minha felicidade ao teu lado foi uma ilusão de cinema barato, e todo o meu sofrimento foi em vão e inútil, do mesmo jeito que você foi.
Meu bem, cadê você? Eu te amo, te guardo, te recordo, te aguardo e te escrevo, tentando fazer você voltar, mas você não volta. Então, cadê você? Sabe, lembra quando a gente costumava chamar um ao outro de “amor”? Eu lembro inclusive da primeira vez que ouvi você me chamar assim, você estava me contando que naquela tarde havia comprado uma camisa, e estava perguntando se eu gostava de xadrez, sabe de um coisa? Amor, quando você me chamou dessa forma naquela noite, todo o meu dia se tornou feliz, um dos mais felizes e o sentimento mais puro aflorou todos os meus sentidos, todos os meus músculos e eu só te apertei mais junto a mim. O que é uma pena, na verdade, é que eu nunca mais o ouvi me chamando assim, e eu sinto falta. Aliás, não só disso, de tudo, eu era feliz sabia? Eu me pergunto se não consegui fazer você feliz e que foi por isso que você se foi. Eu ainda ouço a sua voz, mas ela é um eco do que era antes para mim, é um eco das suas conversas, das suas risadas. Será que a sua voz engrossou um pouco? É difícil dizer, eu só ouço o que o vento me trás, não sei de onde o eco vem, ele só vem. Me diga, por favor, aonde está. Tire a venda que me cobre os olhos. Espante o vazio e o escuro que deixasse com sua partida repentina. Me permita ser feliz ao teu lado de novo. Ou pelo menos só mais uma vez. Volta e diz que não tem mais solução, me diz pra parar de esperar, diz que isso é em vão. Só volta pra dizer que não vai mais voltar.
- Eliani Ventura
Algumas coisas talvez só tenham que acontecer, sem razão ou explicação aparente, talvez no início mesmo a gente não entenda, mas depois, ah, pra que se importar com o depois? Eu te conheci pra ser só mais um daqueles amigos, colegas passageiros, que chegam, ficam um pouco e vão embora. Nômades, andando de coração em coração, de vida em vida, buscando o que há de melhor, explorando, conhecendo, e indo embora. E hoje parece uma ofensa lembrar que um dia cheguei a pensar isso justamente de você.
Lembro de outras pessoas que foram saindo, esquecendo, sendo esquecidas, mas você foi ficando. Todos os dias foi fazendo a diferença, todos os dias foi me mostrando que alguns ainda valem a pena, que ainda existem pessoas que a gente pode confiar. Pessoas que se dermos a nossa vida inteira colocada dentro de uma caixinha de cristal, podemos confiar cegamente no fato de que elas irão guardar aquilo com a própria vida, se assim se julgar necessário.
E você foi me conquistando aos poucos, e é absolutamente incrível acreditar que também te conquistei aos poucos. Logo eu, assim chata, torta e dramática, mas você parecia nem perceber isso, assim como eu achava – e aliás, ainda acho – absurdo quando você dizia ser mal humorado, chato, ou ainda, quando dizia que muita gente não gostava de você. Poupe-me da modéstia. Ou não, se quiser, eu te aceito assim mesmo.
Eu volto e leio essas palavras sorrindo, porque, eu te amo tanto que gostaria de lhe cuidar todos os dias, de lhe proteger de todo o mal. Proteger de tudo e de todos que pudessem lhe tirar o sorriso do rosto.
Não ria, se algum dia vier a ler isso, essa é mais uma daquelas cartas que escrevo pra falar de todo o bem que você causou na minha vida. Pra dizer, com aquela frase clichê, que a distância não é nada. Dizer que você é o melhor, maior e mais incrível amigo que eu poderia ter encontrado. E admitir, perante toda a minha fraqueza e carência humana, que eu nem sei o que eu teria feito se você não tivesse me segurado e me livrado várias vezes dos perigos de mim mesma.
Sabe, algumas coisas realmente, no início, parecem não fazer sentido, mas depois... Depois a gente entende.
Sabe, ainda é difícil estar tão longe de você, é difícil desejar a sua presença aqui perto e saber que é impossível. Isso machuca demais o coração, e sabe aquela coisa, aquela vozinha que se diz a razão? Pois então, aquela vozinha as vezes fraqueja e diz pra desistir, tantas vezes ela veio tão boa de ouvir, como uma canção, ela veio e eu quase a segui. A um passo da total perdição do meu ser. Mas eu ainda sei o que isso significa. Desistir de você ainda não está nos meus planos, por mais que eu pare de falar tanto em ti, por mais que eu pare de escrever, por mais que tudo venha a acontecer, sempre que eu estiver quieta é a sua imagem que eu estou vendo e quando me perguntarem de você o meu coração ainda vai tentar parar o mundo com suas batidas ridiculamente rápidas enquanto tudo que é seu pulsa dentro de mim.
Vem. Estou te dando a chance de me despedaçar de novo.
Estou esperando que venhas com a marreta pronta para estilhaçar todos os pedaços mal-colados do meu coração. É, estou aqui novamente, livre e tua, esperando que as tuas palavras voltem a abrir todas as feridas que o tempo tratou de cicatrizar. Tem ali do lado uma lista com as mesmas mentiras de sempre, caso tenhas esquecido de alguma, não quero tua memória fraca me prive de nada. Lembra-me de tudo que me fizeste passar, faça-me feliz como eu fui com todas as suas mentiras, me de a ilusão de que és meu. Sem timidez. Faça-me acreditar que te preocupas comigo.
Eu te imploro, faça com que as feridas latejem como se nunca tivessem sido cicatrizadas. Por favor, me faça sentir. Cala o teu silêncio. Quebra a escuridão que me cerca, com o brilho do teu olhar. Faz alguma coisa. Me salva desse poço sem fundo, nem que seja para me jogar de um penhasco depois.
Vem que eu estou te dando a chance de tentar de novo.
Talvez eu devesse te pedir perdão.
Eu sei que parei de escrever, mas o amor se tornou tão grande que o meu coração não foi forte o suficiente para suportar. O amor transbordou, e o meu cérebro humano se tornou pequeno demais para processar tudo isso. Como alguém tão pequeno pode amar tanto? Como um coração tão normal pode carregar um amor tão sobrenatural?
Eu precisei parar. Pensar. E a única conclusão que cheguei me trouxe de volta às dúvidas do início. Um ciclo. Eu nunca o abandonei. Nunca deixei de amá-lo. Eu não o esqueci nesses dias em que não escrevi para você. Mas sabe, na verdade, acho que nunca parei realmente de escrever. Acho que dentro de mim, algo continuou rascunhando textos piegas e clichês sobre você e agora só estou dando vida a essas palavras. Só estou tirando do armário empoeirado todo esse amor. Só estou revirando no baú algumas singelas palavras para fazer o que eu sempre fiz: descrever esse conhecido sentimento que sempre carreguei dentro do peito junto a imagem de um anjo sublime e Inalcançável. Junto a sua imagem. E garanto a você que o amo, de um amor puro, sincero, saudável, doentio, louco e talvez até errante. Mas sem sombra de dúvidas é amor. O sentimento que eu vou alimentar com a minha alma só para garantir que seja eterno.
Um amigo meu leu um dos meus textos e me perguntou se era pra alguém de verdade ou se era um fruto da minha imaginação, um alguém inventado. “É pra alguém de verdade”. Aí ele me perguntou o que essa pessoa tinha na cabeça. “Acho que deve ter um cérebro”. Então, esse amigo me perguntou se a pessoa para quem eu escrevia os textos tinha coração... “Deve ter... eu acho”. Claro que o músculo que bombeia o sangue, ta lá, bonitinho, batendo no peito dele, mas o coração simbólico, digamos assim, aquele que dizemos ser o responsável pelo amor, aquele que a gente desenha em cartinhas e que a gente faz com as mãos, esse coração aí acho que ele não tem, e se tiver, não sabe como usar. Ele bem sabe como iludir e quebrar corações alheios e sabe, também, guardar os sentimentos dele em algum canto intocável, inacessível, então, ninguém nunca chega lá. Ele não deixa, e quando a gente pensa que conseguiu, ele ri e mostra que não. Mostra, demonstra e game over pra você. Isso mesmo. É game over porque você não irá passar de um joguinho. A vida dele é isso, um jogo, você será apenas uma peça mais ou menos interessante que apareceu no meio do caminho. Só que assim, jogos normalmente têm instruções e manuais. Algo que te guie. Esse não tem. Você corre, e corre, e luta, e acha que vai dar certo, só que não dá. Você segue a sua intuição só que ela nem sempre te dá a direção correta pra seguir, e nesse caso, você acaba sozinha numa rua sem saída. Ele vai passar reto e talvez esbarre em outras peças mais ou menos interessantes. Ele já cansou e esqueceu das peças antigas, elas dobraram, arranharam, perderam a cor e a importância – que já não era grande.
Nem peço fidelidade a mim, só digo para que seja fiel consigo uma única vez. E aí, consegue? Mas de verdade a sua resposta não me interessa agora. Fiquei sabendo que você amou alguém depois de mim e que essa pessoa ficou com um amigo seu na sua frente durante uma festa, acredita que eu quase fiquei com pena de você? É, mas essa quase pena me trouxe lembranças, me trouxe raiva e por fim trouxe a superfície do meu rosto um sorriso largo de satisfação. Todo mundo sabe que nunca fui uma pessoa má, e não sou de ficar feliz com desgraças alheias, mas saber que você chorou porque uma menina o traiu foi bastante satisfatório, como eu já disse. Até porque, meses atrás, era eu quem chorava por um motivo bastante parecido. É talvez um tanto irônico isso, não acha? Claro que, pelo estrago que você já me causou, desacredito na possibilidade de que essa situação tenha o feito mudar de alguma forma, mas talvez tenha sido uma lição, uma amostra do que me fez passar, e não que eu seja vingativa ou algo do tipo, mas com todo o meu coração, espero que tenham caído muitas lágrimas desses seus olhos e que tudo tenha sido bastante doloroso. Agora escute as dicas de quem já passou por isso: se dê a oportunidade de relembrar as cenas durante noites inteiras. Torne-se um tanto masoquista. Sofra um pouco a cada minuto e veja o que é lutar sozinho e exausto para resistir mais 24 horas. Sofra meu amor. E como consolo, digo a você que eu estarei assistindo isso de camarote.
Mas e aí, qual é a sensação de se sentir inválido diante toda a sua dor? E uma última coisa, e dessa vez tente ser fiel consigo e responda: qual é a sensação de se sentir como o brinquedo de alguém?