Algumas coisas talvez só tenham que acontecer, sem razão ou explicação aparente, talvez no início mesmo a gente não entenda, mas depois, ah, pra que se importar com o depois? Eu te conheci pra ser só mais um daqueles amigos, colegas passageiros, que chegam, ficam um pouco e vão embora. Nômades, andando de coração em coração, de vida em vida, buscando o que há de melhor, explorando, conhecendo, e indo embora. E hoje parece uma ofensa lembrar que um dia cheguei a pensar isso justamente de você.
Lembro de outras pessoas que foram saindo, esquecendo, sendo esquecidas, mas você foi ficando. Todos os dias foi fazendo a diferença, todos os dias foi me mostrando que alguns ainda valem a pena, que ainda existem pessoas que a gente pode confiar. Pessoas que se dermos a nossa vida inteira colocada dentro de uma caixinha de cristal, podemos confiar cegamente no fato de que elas irão guardar aquilo com a própria vida, se assim se julgar necessário.
E você foi me conquistando aos poucos, e é absolutamente incrível acreditar que também te conquistei aos poucos. Logo eu, assim chata, torta e dramática, mas você parecia nem perceber isso, assim como eu achava – e aliás, ainda acho – absurdo quando você dizia ser mal humorado, chato, ou ainda, quando dizia que muita gente não gostava de você. Poupe-me da modéstia. Ou não, se quiser, eu te aceito assim mesmo.
Eu volto e leio essas palavras sorrindo, porque, eu te amo tanto que gostaria de lhe cuidar todos os dias, de lhe proteger de todo o mal. Proteger de tudo e de todos que pudessem lhe tirar o sorriso do rosto.
Não ria, se algum dia vier a ler isso, essa é mais uma daquelas cartas que escrevo pra falar de todo o bem que você causou na minha vida. Pra dizer, com aquela frase clichê, que a distância não é nada. Dizer que você é o melhor, maior e mais incrível amigo que eu poderia ter encontrado. E admitir, perante toda a minha fraqueza e carência humana, que eu nem sei o que eu teria feito se você não tivesse me segurado e me livrado várias vezes dos perigos de mim mesma.
Sabe, algumas coisas realmente, no início, parecem não fazer sentido, mas depois... Depois a gente entende.
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